Padrões transgeracionais: quando a história da família se repete
Muita gente percebe, em algum momento, que uma situação da própria vida já apareceu antes na família. Um jeito de lidar com dinheiro, um silêncio sobre certos assuntos. Quando isso se repete entre gerações, fala-se em padrão transgeracional.
De onde vem a ideia
A observação de que famílias transmitem padrões de uma geração para outra tem várias fontes. Na terapia familiar, o psiquiatra norte-americano Murray Bowen descreveu o que chamou de processo de transmissão multigeracional: modos de reagir e de se relacionar que passam de pais para filhos pela convivência e pelo aprendizado.
Na França, a psicóloga Anne Ancelin Schützenberger popularizou a psicogenealogia com o livro Aïe, mes aïeux!, publicado no Brasil como Meus antepassados. Ela chamou atenção para datas e acontecimentos que se repetem dentro das famílias. É um referencial clínico e popular, não uma teoria comprovada pela pesquisa experimental.
O que a pesquisa já sabe, e o que ainda não sabe
A ciência também estuda se os efeitos de experiências muito difíceis, como traumas, podem alcançar os descendentes. Uma revisão de Rachel Yehuda e Amy Lehrner, publicada em 2018 na revista World Psychiatry, reuniu esses estudos e discutiu o possível papel de mecanismos epigenéticos, que são mudanças na forma como os genes são ativados.
O próprio título fala em mecanismos putativos, ou seja, supostos. Os resultados mais consistentes vêm de estudos com animais. Em pessoas, as autoras apontam que é difícil atribuir os efeitos a um único fator biológico. Convivência, criação e ambiente também passam de uma geração para a outra. Há indícios de transmissão entre gerações, e os caminhos dela ainda estão em pesquisa.
| Ideia | Status |
|---|---|
| Famílias transmitem modos de se relacionar pela convivência | Base da terapia familiar sistêmica (Bowen) |
| Efeitos de traumas podem alcançar descendentes | Em estudo; mecanismos biológicos ainda supostos |
| Datas e acontecimentos que se repetem nas famílias | Referencial clínico da psicogenealogia, sem comprovação experimental |
Como o Metacampo olha para isso
No Metacampo, a transgeracionalidade entra como modelo integrativo, que é como o método chama as construções que organizam a prática sem serem apresentadas como ciência. O Padrão Transgeracional é a quinta etapa da sequência oficial de investigação, e a pergunta dela é direta: que repetições familiares sustentam o conflito observado?
Na Mesa Metacampo, essa etapa vem depois dos Pilares Sistêmicos e antes da Matriz Metacampo, em que tudo o que foi acessado encontra um novo arranjo. A sequência completa está em O que é o Metacampo.
O que isso não significa
Um padrão transgeracional não é destino. Uma repetição na família não determina o que vai acontecer com você, e reconhecer um padrão não é culpar os antepassados. O Metacampo também não diagnostica nem substitui acompanhamento psicológico. Se a história da sua família envolve sofrimento intenso, um profissional de saúde mental é o primeiro passo. Os limites do método estão em Metacampo é terapia?.
Referências
- Bowen, M. (1978). Family Therapy in Clinical Practice. Nova York: Jason Aronson. Internet Archive
- Ancelin Schützenberger, A. (1993). Aïe, mes aïeux! Paris: La Méridienne/Desclée de Brouwer. Edição brasileira: Meus antepassados, Paulus. Registro de catálogo
- Yehuda, R.; Lehrner, A. (2018). Intergenerational transmission of trauma effects: putative role of epigenetic mechanisms. World Psychiatry, 17(3), 243-257. doi:10.1002/wps.20568
O Metacampo não é tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico e não substitui nenhum deles.
Escrito por
Equipe Metacampo
Conteúdo da equipe do Instituto Lucas Naves sobre o Método Metacampo, cocriado por Lucas Naves e Valléria Naves.